'Busca pelo feminicídio zero': Nova secretária da Mulher pretende ampliar ações após recorde de casos no AC

Nova secretária da Mulher detalha ações para redução da violência de gênero no Acre A nova secretária de Estado da Mulher (Semulher), Simone Santiago, d...

'Busca pelo feminicídio zero': Nova secretária da Mulher pretende ampliar ações após recorde de casos no AC
'Busca pelo feminicídio zero': Nova secretária da Mulher pretende ampliar ações após recorde de casos no AC (Foto: Reprodução)

Nova secretária da Mulher detalha ações para redução da violência de gênero no Acre A nova secretária de Estado da Mulher (Semulher), Simone Santiago, disse que a gestão tem como meta a busca pelo feminicídio zero no estado. A defensora pública falou sobre as primeiras ações à frente da pasta em entrevista à Rede Amazônica nesta quarta-feira (15). (Assista ao vídeo acima) Simone assumiu o cargo na última quarta-feira (8), após ser nomeada pela governadora Mailza Assis (PP). A troca ocorreu um dia após a confirmação da saída da delegada Márdhia El-Shawwa. Simone também é casada com o advogado Jonathan Santiago, subchefe do gabinete pessoal de Mailza. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A nova titular chega em meio a um cenário de aumento nos casos de feminicídio. Em 2025, o Acre foi o estado brasileiro com a maior taxa proporcional de assassinatos contra mulheres, com 14 casos e 1,58 ocorrências por 100 mil habitantes. Este foi o maior número da série histórica recente e 75% a mais que 2024. Relembre todas as vítimas aqui. Ao falar de sua experiência na Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE-AC), Simone, que já ocupou o cargo de defensora pública-geral de 2021 a 2025, disse que a vivência pode ajudar no enfrentamento da violência. “Esse ano a nossa busca é pelo feminicídio zero. É uma bagagem desses anos todos em defesa de todas as mulheres”, afirmou. Segundo ela, o trabalho conjunto entre a DPE e a Semulher deve continuar, principalmente no acesso a direitos e medidas protetivas. Entre as ações iniciais, a secretária destacou a necessidade de chegar até mulheres que ainda não identificam situações de violência. “Muitas delas nem sabem que são vítimas, até acontecer algo mais grave”, disse. LEIA MAIS: Com 111 órfãos por feminicídios em 4 anos, órgãos debatem melhorias em políticas de proteção Acre tem o ano mais letal desta década para mulheres Feminicídios flagrados por câmeras: crimes no AC provocam debate sobre omissão de socorro e o que fazer Uma das apostas da gestão é ampliar o programa Impacta Mulher para os 22 municípios do estado. A proposta, segundo Simone, é incentivar a autonomia financeira como forma de romper ciclos de violência. “Uma das formas de prevenção é a mulher passar a ter o próprio trabalho e o próprio ganho para sair desses ciclos de violência. Por isso, vamos levar esse programa para todos os municípios para a mulher ter a sua autonomia'', explicou. A secretaria também tem investido em ações com jovens, por meio do programa 'Papo de Homem', que leva discussões para escolas, igrejas e times de futebol. A ideia, de acordo com ela, é trabalhar em abordagens sobre comportamentos e relações consideradas abusivas desde cedo. Outro ponto citado foi o pagamento de auxílio a órfãos do feminicídio. Segundo Simone, 12 processos já foram abertos. Desse número, quatro recebem o benefício desde janeiro deste ano, enquanto outros oito estão em fase final. Ela afirmou também que a secretaria tenta identificar famílias e vítimas que ainda não sabem que têm direito. Simone Santiago é a nova secretária da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) do Acre Jhenyfer de Souza / g1 Acre ''Já estamos com pagamentos para órfãos vítimas de feminicídio, mas também precisamos de ajuda para encontrar aqueles que não sabem que tem esse direito. Então essas pessoas podem procurar a Semulher para garantir o benefício'', orientou Simone. 🔍 A Lei nº 14.717/2023 garante pensão a filhos e dependentes menores de 18 anos, órfãos em razão de feminicídio, desde que a renda familiar per capita seja igual ou inferior a um quarto do salário mínimo. O benefício mensal equivalente ao salário mínimo nacional tem caráter assistencial e não depende do trânsito em julgado da condenação penal. Simone também alerta sobre a importância da denúncia. “Não se calem. A violência pode chegar a casos mais graves. Ligue no 180. O silêncio mata”, completa. Acre teve 14 feminicídios em 2025 Renato Menezes/Arte g1 AC Estado que mais mata mulheres De acordo com dados do Observatório de Violência de Gênero do Ministério Público do Acre (MP-AC), no estado, a média é de um caso de feminicídio por mês. O órgão também identificou que entre janeiro de 2018 a 21 de janeiro de 2026, houve 91 feminícidios e outras 158 tentativas. Veja abaixo a quantidade de feminicídios desde 2020 no estado acreano: 2020: 12 2021: 13 2022: 9 2023: 10 2024: 8 2025: 14 Com isso, em 2025 o estado voltou a atingir o pico da série histórica dos últimos 10 anos, repetindo os patamares observados em 2016 e 2018, que também fecharam com 14 ocorrências cada. (Veja o gráfico abaixo) A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para denunciar casos de violência contra a mulher: (68) 99609-3901 (68) 99611-3224 (68) 99610-4372 (68) 99614-2935 Veja outras formas de denunciar: Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel. Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras). VÍDEOS: g1